Câmara realiza sessão solene em comemoração ao Dia Mundial do Autismo

A Câmara Municipal de Fortaleza realizou, nesta quinta-feira (26), Sessão Solene em comemoração ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O evento foi proposto pelo requerimento apresentado pelo vereador Márcio Martins (PR), aprovado por unanimidade pelo plenário da Casa Legislativa. A sessão foi presidida pelo vereador Márcio Martins, no ato representando o presidente da CMFor, vereador Salmito Filho (PDT).

A mesa solene contou com as presenças do deputado Capitão Wagner; Fátima Dourado, presidente da Casa da Esperança; Luana Pinto Bandeira, presidente da TEAMO; Keliane Chaves, presidente do Pintando o 7; Alexandre Mapurunga, Secretário da Abraça; Fernanda Melo Cavalieri, presidente da Associação Fortaleza Azul; e das autistas a menina Marília Brandão e a jovem Ana Beatriz Duarte Alves de Sousa.

Em sua saudação aos presentes o vereador Márcio Martins, disse que são momentos como esses que o encantam mais. Ele afirmou que os autistas demonstram a pureza e a verdade, “sem se preocupar com as formalidades, que muitas vezes nos distanciam da realidade, por isso, cada dia mais aprendo com os autistas e com os profissionais. Isso me da mais força para continuar na luta. Tivermos avanços nessa causa, mais ainda está longe de ser justa”.

Para o vereador devemos ter a prática da inclusão em casa. “O discurso é muito destoante se o a prática não começar em casa. Nós travamos diariamente aqui na casa uma luta em prol do autismo. Nunca se falou tanto nessa casa em autismo. Aqui temos uma muralha azul, a Frente Parlamentar em Defesa do Autismo. Isso vai fortalecendo os demais colegas. Diariamente saímos de casa em busca de reconhecimento. Vocês homenageados dessa noite, o que queremos é reconhecer ao trabalho de vocês, para a causa do autista que vocês se sintam motivados a continuar a lutar por esse povo que merece”.

Em seguida, a palavra foi facultada a jovem Ana Beatriz Duarte Alves de Sousa, estudante de psicologia e autista que abordou o autismo nas mulheres. “Dois de abril é o dia mundial da aceitação do autismo, sendo que s comemorações acabam se estendendo por todo mês, nesse ano a ONU reconheceu como mês do empoderamento da mulher. O autismo ocorre geralmente em homens, isso ocorre porque Leo Kanner, que definiu o autismo em 1943, fez um estudo com 11 crianças 8 homens e três meninas. Dai o pensamento que o autismo ocorre mais nos homens. Ocorre esse tabu em outras áreas como no TDA e outras condições fisiológicas, como doenças coronarianas. As pessoas associam cor azul ao autismo, por acharem que o autismo é mais comum em meninos”.

“As mulheres acabam sendo diagnosticadas tardiamente ou nunca são diagnosticadas. Elas acabam sendo deixadas de lado ou esquecidas. Mas há estudos que tem desmascarado que o autismo nas mulheres não ocorrem da mesma forma que os homens. O próprio manual diagnostico mostra isso. As mulheres tendem ter um comportamento social diferente. Elas buscam ter mais amigos, elas podem se engajar socialmente, mas precisam do isolamento no final do dia”, frisou.

Ela observou que as mulheres têm mais facilidade de copiar o comportamento das outras pessoas, e isso pode mascarar o autismo delas. “Os estímulos ocorrem de forma sutis. Os hiperfocos, interesses fixos são mais socialmente aceitos. É comum que adolescentes se interessem por cantores e músicos, no autismo isso ocorre a vida toda. Esses fatores fazem com que elas sejam subestimadas. É exigido da mulher que ela seja mais quieta, passiva. Quando a autista assim age, as pessoas não acham estranho”.

“O recado que quero dar é que não fiquemos pregados no passado, os conceitos mudam. Queria que as pessoas fossem mais abertas e não aceitassem esse fato como definitivo, principalmente os cientistas e a sociedade. A mídia apresente mais personagens autistas não só homens. O mês de abril precisa deixar de ser só de pais e profissionais falando, é preciso ter autistas falando. No final quero dizer que autismo não é só azul é de todas as cores”, concluiu.

Em seguida falou Marília Brandão. “Faço parte da Pintando o 7 azul, quero fazer um agradecimento especial da associação por me confiar essa missão. Tenho 10 anos e fui diagnosticada aos 3. Quem olha pra mim não percebe que sou autista, mas sou. Minha mãe diz que autismo não tem cara. Sou assim porque meus pais nunca desistiram de mim. Peço aos pais, não desistam de seus filhos, somos uma benção de Deus. Tenho autismo, tenho direitos, mas eles estão só no papel. Devemos ter locais específicos que ajudem no diagnostico, tratamento adequado, programa de formação do autismo para todos os profissionais saúde, educação e segurança”, frisou.

“Como o policial pode abordar um autista, um bombeiro pode salvar e um professor pode ensiná-lo. São perguntas que estão sem resposta. Precisamos ter prioridade no atendimento pois somos ansiosos. Não tomo remédio, mas meu irmão toma. Ele reduz sintomas, como agressão, a automutilação, mas nem sempre tem disponível para todos. Concluo deixando outro recado, tentar, tentar e nunca desistir.”

Após um vídeo a banda Cabesp da Casa da Esperança apresentou números musicais.

Foi feita uma homenagem a personagens que atuam em prol do autismo: Mestre Carla, Capoeira associação Zubi Capoeira; Wagner Sousa Gomes, capitão Wagner, deputado estadual ex-policial militar e professor; Raimunda Clara Calixto Gomes, pedagoga, especialista em psicopedagogia, fundadora do projeto Diferente, começou em 1988 a trabalhar com autistas; Alexandre Aquino, psiquiatra, Mariana Araújo Maciel, odontóloga; Madalena Lopes, coordenadora do Colégio Regina Pacis. Rodrigo César Baltazar Pinheiro Pinto, administrador e palestrante.

Em nome dos homenageados falou o deputado Capitão Wagner me sinto gratificado por esse titulo, me sinto honrado em receber essa homenagem é o combustível para cada vez mais nos engajarmos nessa causa, para sentirmos a mudança. E comemorarmos os avanços, que são poucos ainda, mais importantes. Agradecer mais uma vez.

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